sexta-feira, 8 de maio de 2009

Análise Parte I - Sonata em Am - KV310 Mozart

Análise Musical da Sonata No.8 em Lá menor de W.Mozart - KV 310

obs.:as imagens da partitura foram extraídas do NMA e lá consta esta sonata como No.9 (K.311) e não como No.8 (K.310). Obrigado para aquele que me chamou a atenção.


Parte I


(Análise Musical - uma explanação)
(http://tecnicasdecomposicao.blogspot.com/2009/05/glossario-termos-comuns.html">Ver Glossário e Termos Comuns)

Iniciaremos nossa primeira jornada com uma peça de W.A. Mozart: primeiro movimento da sonata 8 em lá menor, KV310.


Esta sonata está na forma clássica Forma Allegro-Sonata: Exposição - Desenvolvimento - Reexposição.



Esta primeira parte vai tratar somente da Exposição, onde os elementos são introduzidos. A segunda parte tratará do Desenvolvimento e da Reexposição.

pág. 1

pág.2


obs.: imagens da partitura de Mozart retiradas do site NMA


EXPOSIÇÃO

Tema A: Sentença (c.1 a 9)




É notório sua divisão em 2 partes (1a. parte: c.1 a 5; 2a. parte: c.6 a 9).

A primeira parte é composta por um modelo (2 compassos) que é repetido literalmente, tendo uma conclusão no c.5 (cesura). Acredito ser prematuro afirmar que esta cesura seja uma conclusão de fato, pois podemos perceber no c.8 a 9 (2a. parte) uma conclusão mais definida.

Portanto, prefiro definir o Tema A como uma sentença, sendo a 1a. parte o enunciado e a 2a. parte o complemento. Com isso, há uma extensão (c.5) fazendo com que a sentença tenha 9 compassos, e não 8 (padrão). Na Parte III (última) desta análise vou definir como seria o Tema A sem a extensão.


Transição: c.9 a 22; 2 Seções (S1 e S2); Temático baseado no Tema A;


Inicia-se igual ao Tema A, parecendo que o Tema A está sendo repetido (o que a primeira vista poderia confundir a classificação do Tema A não como sentença, mas como período), porém muda de rumo no c.12 para outra região.

No c.16 inicia-se uma nova seção (S2), concluindo-se através dos compassos c.21 e 22.

A transição inicia-se na região t, passa para M, depois para m (S2 c.16), concluindo na dominante de m ou M.

Em S2 começa a aparição das semicolcheias, o que será utilizado intensamente no resto da peça.

No c.17 (S2), o acorde I é transformado em II+ (segunda aumentada - F#-Ab-C-Eb), aparecendo pela primeira vez na peça. A nota Sol se encontra como nota pedal (o que poderia ser substituído por F# ou Ab).


Tema B: constituído de B1 e B2; c.23 a 45

B1: c.23 a 35 (2 partes)

Inicia-se com um modelo de 1 compasso (c.23) que depois é sequenciado mais 2 vezes, concluindo-se no c.26.

Estes 4 primeiros compassos passam a formar um grande modelo (1a. parte c.23 a 26) que, aparentemente, será repetido em seguida (c.27), mas no c.28 o modelo não é repetido, tomando uma nova forma (2a. parte).

Aqui a genialidade de Mozart novamente se faz presente, pois ele deixa uma pista falsa de que vai haver uma repetição do modelo (1a. parte), mas esta 2a. parte de B1 tem muito mais elementos, contornos diferentes, e, principalmente, maior extensão devido a inserções e uma cadência típica Mozartiana (c.33 a 35), usada em diversas outras obras.

Esta 2a. parte deveria ser uma repetição variada da 1a. parte? Ou as 2 partes formam uma estrutura única?

Tirando o primeiro compasso que é quase uma repetição literal (m.e. uma oitava abaixo), o resto sai totalmente da simplicidade da 1a. parte.

Mas podemos perceber alguns elementos de ligação de ambas as partes:

  • a cesura com conexão (c.26) é repetido em c.32;
  • as semicolcheias estão presentes quase como um ostinato;
  • o m.3.2b (ver motivos abaixo) apresentado inicialmente na 1a. parte é repetido no c.30;
  • em ambas as partes iniciam-se com a sequencia de acorde I - II.

Outro ponto menor, mas não menos importante, de se notar é que a introdução de B1, feita pelas 3 colcheias em anacruse (c.22), não é mais repetido, e sim, substituído por uma conexão em semicolcheias (c.26), usada em outros momentos.

Devido a estes pormenores, após a análise da peça voltarei a comentar sobre B1 (ver Parte III).


B2: c.35 a 45
Tema B2 da Expo

É uma consolidação dos motivos usados anteriormente.

Parece que Mozart, devido ao seu senso de forma, criou B2 como uma necessidade de fixação dos motivos já apresentados, e introduziu elementos que serão reaproveitados no desenvolvimento. É claro que ele não deve ter criado B2 porque viu que deveria fixar os motivos, isso deve ter sido algo muito intuitivo a ele.

B2 utiliza-se dos motivos m.3.2, m.3.1 e m.1.2, sendo que o m.3.2 parece estar deslocado de uma semínima (c.35 e 36).

A sua estrutura é simples: consiste de um modelo (c.35 a 40) e uma repetição quase literal, cuja ideia principal é a inversão melódica entre as vozes (m.e. x m.d.).

A 3a. voz apresentada pela m.d. no c.42 tem um grande impulso que será utilizado largamente no desenvolvimento e que leva o ouvinte para a codeta da exposição (ou tema final).


Codeta: c.45 a 49

Codeta ou Tema Final da Expo


Tem uma estrutura simples de Mod+Rep, reforçando um modelo cadencial (utilização dos graus I - II65 - V - I).

Mas a ideia principal da codeta é reintroduzir o motivo inicial da sonata (m.1): servindo de base para a volta da exposição (ritornello) e para início do desenvolvimento.



Até aqui finalizamos a análise de toda a exposição da sonata de Wolfgang Amadeus Mozart: A-Tr-B-codeta

Seguem os motivos principais da sonata, incluindo as suas alterações e transformações:



Na próxima postagem (Parte II) continuaremos a analisar o desenvolvimento e a reexposição.

Na Parte III darei algumas considerações gerais sobre essa nossa primeira análise!


Saudações a todos,


Carlos Correia

14 comentários:

Anônimo disse...

Esta sonata é a nº 8 e não a 9!
Pelo menos a edição que tenho diz que é a nº 8.

De qualquer modo está um excelente trabalho.

Anônimo disse...

Olá, vc tem análise da sonata nº4 K282? Se tiver, por favor manda p meu e-mail:moncajazeira@yahoo.com.br. Valeu!

Anônimo disse...

Olá, vc tem análise da sonata nº4 K282? Se tiver, por favor manda p meu e-mail:moncajazeira@yahoo.com.br. Valeu!

Carlos A Correia disse...

moncajazeira,
Te enviei um e-mail.

Anônimo,
Vc tem razão, é a 8 mesmo. Já alterei os números e coloquei uma observação no post, pois eu peguei as imagens do NMA (edição online de Mozart), e lá foi trocada a ordem do K311 pelo K310, e me confundiu tb. Obrigado.

abraços a todos,

Banda Verano disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Thiago disse...

Exelente análise, adorei o blog e vou dar uma olhada sempre que possivel.
A propósito, eu que postei esse ai de cima, não vi que estava na conta errada hehehe...

Carlos A Correia disse...

Oi Thiago,

Obrigado pelo comentário.

Se quiser, dê uma sugestão para o blog. ok?!

abraços,

carlos firmino disse...

Sou saxofonista e formado em composição .
Gosto deste blog de grande utilidade .

Portugal

escola ernesto nazareth disse...

Gostei muito deste blog, muito interessante.
Estou precisando de uma analise da sonata de Beethoven op.81 (Les adieux). obrigado
Massimo (pianista)
profmassimo@hotmail.com

Carlos A Correia disse...

Obrigado Carlos Firmino!

Obrigado Massimo. Infelizmente, estou sem tempo para analisar a sonata de Beethoven como ela deve ser analisada! Inclusive, ainda não consegui terminar alguns posts meus...

Mas exatamente que tipo de análise vc precisa? Análise harmônica, estrutural, ...

Vc já tentou analisá-la? Vc usaria essa análise em algum lugar?

[]s

Rafael Bitencourt disse...

Está excelente o seu artigo.
Preciso fazer uma análise harmôncia da modinha "Você se esquiva de mim" que está no livro Modinhas do Brasil de Edilson Lima.-Será que você poderia me ajudar?

Carlos A Correia disse...

Boa noite Rafael, tudo bem?

Te ajudo sim, na medida do possível, pois estou realizando outros projetos que tem me consumido bastante o meu tempo. Até por isso estou devendo continuidade em alguns artigos por aqui.

Mas qual seria sua dúvida? Vc tem conhecimento harmônico? Motívico? Formas?

[]s

Anônimo disse...

Gostaria de ver as analises, porem esta muito miudo para eu poder enchergar. Obrigado.

Carlos A Correia disse...

Olá! Clique nas imagens para ampliá-las.
abraços